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Gravação multicanal via REAC
Dimensionando o seu sistema O SONAR é o único software que suporta o driver REAC, e só roda no sistema operacional Windows (XP ou Vista). A Cakewalk recomenda um computador com processador Intel Core 2 Duo com clock de 2 GHz, ou superior. Mas AMD também possui processadores de dois núcleos, e um Athlon X2 também seria adequado ao nosso tipo de aplicação. Para quem pode investir um pouco mais, há os processadores de quatro núcleos, Intel Core 2 Quad e AMD Opteron, que vão proporcionar uma melhora significativa no desempenho geral.
A escolha do processador pode ficar confusa, por causa da variedade de modelos da Intel e da AMD, cada qual com muitas opções de velocidade de clock. Não se empolgue com algumas ofertas tentadoras de notebooks; verifique com atenção qual é a configuração oferecida e, principalmente, qual é o modelo do processador. Fuja dos velhos Sempron, Celeron, DualCore, etc., e dê preferência aos processadores de 64 bits, pois possuem melhor desempenho.
Uma terceira opção seria rodar o SONAR num computador Apple Macintosh dotado de processador Intel e sistema OS X, que permite instalar o Windows (XP ou Vista), através do recurso do Boot Camp. Neste caso, o computador opera efetivamente em plataforma Windows, rodando normalmente os softwares desenvolvidos para esta plataforma, inclusive o SONAR.
Obs.: A versão 1.00 do driver REAC não tem suporte para sistemas de 64 bits, portanto neste caso você terá que usar o Windows XP comum ou a versão de 32 bits do Vista. Espera-se que em breve o driver REAC também opere em 64 bits, já que o SONAR foi o primeiro software de áudio a oferecer suporte a operação em 64 bits, com um ganho de cerca de 30% no desempenho.
O Windows XP, depois da atualização Service Pack 2 conseguiu se estabelecer como um sistema operacional relativamente robusto e confiável, e continua sendo a escolha de muitos profissionais da área de áudio. Seu sucessor, o Windows Vista, apesar de várias inovações – sobretudo a operação em 64 bits – não foi capaz de convencer a maioria dos usuários, e não obteve o sucesso esperado pela Microsoft. Provavelmente por isto já está sendo preparado o novo sistema operacional de 64 bits, Windows 7, com versão beta já em testes. Mas ainda não há qualquer informação de que o SONAR ou o driver REAC funcionem nesta nova versão.
A quantidade de memória RAM é um dos fatores que influi diretamente no desempenho do sistema, principalmente no número de canais que podem ser gravados simultaneamente e na quantidade de plug-ins de processamento. Neste quesito, a Cakewalk faz as seguintes recomendações:
- para gravar 40 canais: 3 GB de RAM
- para gravar 24 canais: 2 GB de RAM
- para gravar 8 canais: 1,5 GB de RAM
Obs.: Nas versões de 32 bits do Windows (XP ou Vista), a quantidade máxima de memória RAM que pode ser acessada é de 4 GB, mas esta quantidade de memória não estará totalmente disponível para um único software.
Use memórias do tipo DDR2 com clock de pelo menos 667 MHz. Se puder investir mais, use DDR2 de 800 MHz ou então DDR3, que vão possibilitar um desempenho melhor. Certifique-se de que o modelo de memória que você escolheu é suportado pela placa-mãe do seu computador. Além disto, adquira essas peças de fornecedores idôneos e confiáveis.
O disco rígido (HD) é um componente crucial num sistema de gravação, pois é nele que os dados são armazenados. Um dos principais parâmetros que determinam o desempenho do HD é a taxa de transferência, sendo que os HDs atuais de tecnologia SATA permitem taxas da ordem de até 3 Gb/s. A maioria dos HDs SATA opera em 7.200 rpm, mas há alguns modelos – bem mais caros – que operam em 10.000 rpm e proporcionam um tempo de acesso um pouco mais rápido. Nos notebooks, por outro lado, ainda são muito comuns os HDs com rotação de 5.400 rpm.
Conforme as recomendações da Cakewalk, para gravar até 24 canais simultâneos é necessário um HD do tipo SATA (ou eSATA, externo). Para uma quantidade maior de canais simultâneos, é recomendado ter dois ou mais HDs em uma configuração especial, que abordaremos mais adiante. A Cakewalk não recomenda o uso de HD externo (conectado via USB 2.0) para gravar mais de 8 canais simultâneos.
É importante ressaltar que essas recomendações se referem às condições seguras de operação, isto é, com desempenho suficiente, sem operar no limite. Possivelmente você conseguirá gravar mais do que 24 canais mesmo não usando discos em configuração RAID0, mas estará trabalhando numa condição mais arriscada, o que não seria aconselhável em aplicações profissionais.
Uma prática usual em sistemas de gravação baseados em computador é o uso de um ou mais HDs específicos para armazenar os dados de áudio. Isto significa ter um HD onde ficam o sistema operacional (Windows) e os softwares (SONAR, editor de texto, etc.), e um ou mais HDs só para gravar o áudio. Se você quiser instalar mais do que dois discos SATA no computador, é importante verificar se a placa-mãe possui conectores suficientes, pois só é possível conectar um HD em cada porta SATA. Outra verificação importante é a compatibilidade entre as portas SATA da placa-mãe e a taxa do HD: as placas-mãe mais antigas possuem portas SATA de 1.5 Gb/s, e algumas dessas não funcionam bem com um HD de 3 Gb/s, mesmo que este possa ser configurado (por um jumper) para operar em 1.5 Gb/s. Em resumo, o ideal seria ter uma placa-mãe com quatro portas SATA, compatíveis com 3 Gb/s, e HDs idem.
Uma dica: identifique fisicamente os HDs colando neles uma etiqueta (“HD1”, “HD2”, “HD-Audio”, “HD-Windows”, etc.), e também nos respectivos cabos de conexão SATA. Isto facilitará bastante no caso de você precisar retirar os HDs de dados para transferir projetos para outro computador.
Na impossibilidade de se ter dois HDs no computador, então o jeito é “particionar” o mesmo HD em duas unidades lógicas (ex: “C” e “D”), onde na unidade “C” ficariam o sistema operacional e os softwares, e na unidade “D” ficariam os dados de áudio. Isto pode ser feito na instalação do Windows, e permite uma segurança maior, caso o sistema operacional seja corrompido ou infectado por algum vírus. Nestes casos, bastaria reformatar o disco “C”, sem qualquer intervenção no disco “D”. Obviamente, se o HD tiver um defeito de hardware, ambas as unidades serão afetadas.
E qual a capacidade que deve ter o HD de áudio? Vejamos quantos megabytes (MB) ou gigabytes (GB) temos que dispor para gravar o material de áudio.
Considerando que os dados de áudio tenham resolução de 24 bits e taxa de amostragem (sampling rate) de 48 kHz, haverá então 48.000 amostras de 24 bits em cada segundo. E como 24 bits são 3 bytes (1 byte contém 8 bits), então em cada segundo de áudio teríamos 3 bytes x 48.000 = 144.000 bytes. Desta forma, para armazenar um minuto de áudio seriam necessários 60 x 144.000 = 8.640.000 bytes, ou cerca de 8,5 MB por minuto. Isto para apenas um canal de áudio. Assim, se quisermos gravar 40 canais de áudio, ocuparemos cerca de 345 MB do HD por minuto. E se a taxa de amostragem for 96 kHz (como no caso do Digital Snake), a capacidade utilizada será o dobro – quase 700 MB por minuto!
Isto significa que se quisermos gravar uma hora de espetáculo em 40 canais, com resolução de 24 bits / 96 kHz, precisaremos de mais de 40 GB, o que não chega a ser difícil nos HDs comuns de hoje, que possuem capacidade de algumas centenas de GB (o problema é que o espaço ocupado no disco não é o valor exato em MB dos dados, pois os dados podem ocupar mais MB do que realmente precisam, dependendo do tamanho do “cluster”, que é a menor porção de bytes no HD). Além disto, quando o HD já está relativamente ocupado, vai deixando menos espaço disponível. Mesmo que o espaço calculado pareça ser suficiente, à medida que o HD vai ficando muito cheio (próximo de 90% da sua capacidade), o desempenho tende a cair, podendo até prejudicar a gravação.
Obs.: A Microsoft não esclarece bem as razões para isto, mas afirma o seguinte: “Ao executar um sistema operacional complexo como o Windows, nem sempre você saberá o significado de todos os arquivos no computador. Às vezes o Windows utiliza arquivos para uma operação específica e, em seguida, os retém em uma pasta designada para arquivos temporários.”
Uma prática que tem sido seguida por muitos técnicos de gravação é deixar uma folga de cerca de 10% no HD. Ou seja, você faz as contas assumindo que seu HD tem 10% menos da capacidade real.
Cabe aqui ressaltar a importância de um recurso hoje bastante conhecido, e que já faz parte da cultura dos usuários de softwares vorazes de HD: o Desfragmentador de Disco do Windows, disponível em Programas / Acessórios / Ferramentas do Sistema. Ele elimina os fragmentos de arquivos espalhados fisicamente pelo disco, e consegue assim aumentar, mesmo que pouco, o desempenho do sistema como um todo. Dependendo da ocupação e da condição de fragmentação HD, execute o Desfragmentador duas ou mais vezes, até que ele chegue a um resultado satisfatório (mas lembre-se de que o tempo que o Desfragmentador leva para fazer a desfragmentação é proporcional à capacidade do HD).
Uma recomendação importante é não instalar qualquer software que você não saiba para que serve, sobretudo aqueles que você nem sabe de onde vieram. Muitos softwares permanecem residentes (em background) mesmo quando não estão sendo efetivamente usados, consumindo processamento e também podendo interferir na operação do SONAR. Além disto, softwares de origem desconhecida podem conter vírus e trazer muitos problemas. Mesmo alguns softwares conhecidos, tais como MSN, Skype, etc., que têm suas utilidades em outras situações, podem prejudicar o desempenho do sistema. Portanto, desative todos esses softwares quando for operar com áudio.
Também é recomendado configurar o Windows para operar em condição de melhor desempenho possível. Para isto, clique em Iniciar / Painel de Controle / Sistema / Avançado, e nas configurações de desempenho selecione as seguintes opções: na aba “Efeitos Visuais”, marque a opção “Ajuste para obter o melhor desempenho”; na aba “Avançado”, marque “Serviços em segundo plano”. A aparência do Windows vai ficar meio “pobre”, mas vale a pena.
Ainda nas configurações de Sistema do Painel de Controle, na aba “Atualizações Automáticas” marque a opção “Desativar Atualizações Automáticas”.
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