
Chrystian Galante
Músicos profissionais sempre encontraram dificuldades para consolidar seus nomes no mercado. E, infelizmente, essa situação permanece inalterada até os dias atuais. Para superar esses obstáculos, os artistas precisam se destacar de alguma maneira, seja com o aperfeiçoamento da técnica ou com a aquisição de equipamentos modernos. Quem soube aproveitar essas oportunidades muito bem foi Chrystian Galante. Sempre preocupado em atualizar seus conhecimento, o percussionista derrubou uma grande barreira e introduziu instrumentos digitais ao seu set. "São ferramentas para ousarmos em nossas apresentações", explica.
Galante, que é músico desde 1994, continua colhendo os frutos de decisões bem definidas. Não é a toa que acompanhou artistas renomados no cenário nacional, como Simoninha, Jair Rodrigues, Luciana Mello, Agnaldo Rayol, Roberta Miranda e Bocato, entre outros, além de participar do Projeto Petrobrás (Martinho da Vila, Toni Garrido e Sandra de Sá). Atualmente, para auxiliá-lo em apresentações e gravações, ele conta com um pad de percussão eletrônica HPD-15 - com os pads, KD-8 e FD-8 plugados –, um sampler de percussão SPD-S e um pedal BOSS RC-20xl Loop Station.
Conte um pouco sobre seu primeiro contato com equipamentos Roland.
Meu primeiro contato com equipamentos ROLAND da linha V-Drums foi há uns 8 anos, quando vi bateristas utilizarem em seus sets pads eletrônicos como o SPD-11 e SPD-20. Achei esses instrumentos muito interessantes, porque abriam um leque de opções na hora de tocar, mas cerca de 3 anos, o Gino, um amigo e grande incentivador de meus estudos, me apresentou uma gama de instrumentos da linha V-Drums: as baterias, o SPD-S e finalmente o HPD-15.
Atualmente, quais são os equipamentos Roland que fazem parte do seu setup e por que você optou por estes modelos, exatamente?
Atualmente utilizo o HPD-15 em meu setup com os pads KD-8 e FD-8 plugados, tendo assim uma gama de recursos para utilizar no som. Monto vários sets com 15 sons diferentes de instrumentos de bateria e percussão do mundo todo, podendo dispará-los ao mesmo tempo. Tenho uma bateria de 40cm, só que ela tem sons de tabla, darbuka, djembe, vasos, surdos e centenas de outros sons.
Utilizo também o RC-20 da BOSS, que é um loop station fantástico e permite que eu utilize os instrumentos acústicos de percussão. Crio um groove de um instrumento e faço um looping ao vivo, ficando livre para tocar outros instrumentos. A brincadeira toda fica mais interessante porque posso gravar vários instrumentos na mesma faixa - é como se eu estivesse tocando com outros percussionistas ao mesmo tempo e aí, deixo a criatividade rolar.
Qual o diferencial que estes produtos deram ao seu som?
O grande diferencial desses produtos é justamente ter um set gigantesco reduzido em um único instrumento que cabe na sua mão. Os timbres são idênticos aos sons originais dos instrumentos acústicos e ainda tenho uma infinidade de recursos como efeitos, notas musicais etc.
Acredito que esses instrumentos não vieram para substituir os tambores, mas para serem agregados aos setups de percussionistas, facilitando nossa vida na hora de montarmos nossos kits.
O que poderia ser melhorado para os percussionistas participarem mais ativamente no mundo da música com percussões eletrônicas?
Em minha opinião o mundo da percussão cresceu muito no mercado brasileiro e mundial, nosso espaço está cada vez maior, temos papel fundamental no som, não só nas misturas musicais que acontecem, mas também de mantermos as raízes dos ritmos que em sua maioria tem sua pulsação nos tambores.
Hoje os percussionistas estão cada vez mais atualizados e unidos, existem vários grupos de percussão onde podemos estudar e trocar informações, isto faz com que nos preocupemos mais em tocar pro som, groovar, tocar junto, esta transição também requer evolução dos bateras e baixistas, para se adaptarem a tocar com percussionistas, já que hoje em vários trabalhos a percussão participa como foco principal.
Para a participação mais ativa de percussão eletrônica nos setup’s de percussionistas falta o conhecimento aprofundado desses equipamentos, não só na EXPOMUSIC, mas as lojas deveriam divulgar mais esses produtos e os músicos aproveitarem as oportunidades para testarem os equipamentos, assim poderiam avaliar o custo benefício e a amplitude de recursos que esses instrumentos disponibilizam para nós músicos.
O que voce sugere para a atual geração de percussionistas se profissionalizarem e conquistar um espaço concreto dentro do mercado musical?
A nova safra de percussionista deve quebrar a barreira do preconceito que ainda existe em relação aos equipamentos eletrônicos, que estão aí como ferramentas para ousarmos em nossas apresentações, nunca deixando os tambores e nossas raízes musicais de lado, mas sim agregando novas tendências e sons ampliando nosso espaço dentro do mercado musical. Quanto mais atualizados, estimulamos nossa criatividade e teremos novas opções para inserirmos a novos trabalhos.
Quais são seus projetos em andamento e para o futuro?
Atualmente acompanho alguns artistas e trabalho com música eletrônica e percussão, misturo os vários ritmos brasileiros com o som dos DJ’s. Estou no projeto RYB Live. O convite foi feito pela dupla Marcos Bispo e Rafael Yapudjam. É na mesma vertente do eletrônico com ritmos brasileiros, mas com o trio tocando ao vivo.